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Doenças

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

O acidente vascular cerebral (AVC), também chamado de derrame cerebral, é uma doença causada, normalmente, por problemas de circulação sanguínea no cérebro que acabam prejudicando as células da região. Existem diferentes motivos para que isso ocorra e, por isso, os médicos classificam o AVC em duas categorias:

  • Acidente vascular hemorrágico. Como o próprio nome diz, a causa desse tipo de AVC é a hemorragia. O sangramento pode ocorrer no interior do cérebro ou entre ele e o crânio. Quando ocorre no interior do cérebro é chamado hemorragia intracerebral. Geralmente, esta situação é ligada à hipertensão arterial, idade avançada, uso abusivo de álcool ou uso de drogas, como cocaína ou metanfetaminas. Quando o AVC ocorre entre o cérebro e o crânio, ele é chamado hemorragia subaracnoide. Os AVCs hemorrágicos representam aproximadamente 20% dos casos de AVC.
  • Acidente vascular isquêmico. Isquemia significa a falta de suprimento sanguíneo. Isso geralmente ocorre quando uma artéria fica “entupida” pela deposição de placas de gordura em suas paredes (aterosclerose). A formação de um coágulo sanguíneo também pode causar isquemia. Os AVCs isquêmicos são a causa mais comum de AVC; representam até 80% dos casos de AVC.

tomografia avc

Tomografia de paciente do sexo feminino, 69 anos, com AVC isquêmico agudo, antes do tratamento (A) e 24 horas após o tratamento (B). Foto: Dr. Woong Yoon / AHA Journals.


Em 15% a 20% dos casos, não se consegue determinar claramente o tipo de AVC. Os sintomas do AVC ocorrem quando grandes artérias do cérebro são afetadas, ou ainda, quando pequenas artérias que irrigam áreas críticas do cérebro são afetadas. Quando ocorre um pequeno derrame em áreas críticas do cérebro, os médicos chamam de AVC lacunar.

Sintomas do AVC

Haja visto que cada área do cérebro é responsável por uma função (sensação, movimento, visão, fala, equilíbrio, coordenação motora, etc), os sintomas do AVC variam conforme a área do cérebro que é afetada.

Os sintomas podem ser os seguintes:

  • Dor de cabeça, com ou sem vômito
  • Tontura ou confusão
  • Fraqueza ou paralisia em um lado do corpo
  • Formigamento súbito e intenso em qualquer parte do corpo
  • Alterações visuais, como perda súbita da visão
  • Dificuldades para andar
  • Problemas de coordenação motora nos braços e nas mãos
  • Dificuldades para falar
  • Desvio repentino dos olhos para uma direção
  • Convulsões
  • Problemas de respiração
  • Desmaio
  • Coma

O aparecimento súbito de um ou mais desses sintomas é um sinal de alerta do acidente vascular cerebral.

Em alguns casos, o AVC é precedido por um ou mais ataques isquêmicos transitórios (AITs). AITs são episódios curtos de sintomas semelhantes aos do AVC que duram menos de 24 horas, geralmente de cinco a vinte minutos.

Diagnóstico & Exames

O médico vai revisar seu histórico médico e seus fatores de risco para o AVC (hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, algumas doenças cardiovasculares, histórico familiar de AVC). Ele fará um exame físico e medirá sua pressão sanguínea. O médico também fará um exame neurológico para verificar quaisquer alterações nas suas funções cerebrais.

Para diagnosticar e classificar o AVC, o médico precisa de exames de imagem do cérebro, que podem ser a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM). Dependendo do tipo de AVC suspeito, o médico poderá fazer uma punção lombar (PL) para verificar se há sangue no líquido cefalorraquidiano, ou ainda, uma ultrassonografia ou angiografia para avaliar o fluxo de sangue para o cérebro.

Se ficar evidente que você está tendo um AVC, a sua avaliação também vai incluir exames para determinar a causa, como aterosclerose ou formação de coágulos no sistema circulatório. Você poderá fazer uma radiografia de tórax e um exame chamado eletrocardiograma (ECG). Um hemograma avalia a contagem de células sanguíneas e a capacidade de coagulação do sangue. Algumas pessoas precisam passar por ultrassonografia de carótidas e/ou ecocardiografia.

Duração do AVC

Se a circulação sanguínea para o cérebro for restabelecida rapidamente, os sintomas melhoram em alguns dias. Se a circulação ficar interrompida por longos períodos, a lesão cerebral pode ser mais grave, os sintomas podem durar vários meses e talvez você precise fazer fisioterapia. Uma lesão cerebral permanente causa deficiência permanente. Algumas pessoas, principalmente aquelas com AVC hemorrágico intenso, não resistem e morrem.

Como Evitar o AVC

Você pode evitar um AVC se conseguir controlar os fatores de risco, como hipertensão arterial, tabagismo, arritmia cardíaca, colesterol elevado, aterosclerose e diabetes. Ter um estilo de vida saudável e tomar um comprimido de ácido acetilsalicílico (AAS) por dia também podem ajudar a evitar um AVC.

Vários medicamentos usados no tratamento da hipertensão arterial têm se mostrado eficazes na prevenção de AVCs. Dentre eles estão os inibidores da ECA (IECA), como enalapril, ramipril, captopril ou lisinopril, bem como os diuréticos tiazídicos, como a tiazida ou a clortalidona.

Caso você tenha problemas de arritmia cardíaca, você pode reduzir significativamente o risco de AVC se tomar o anticoagulante varfarina. A maioria das pessoas que têm arritmia cardíaca pode tomar essa medicação com segurança. A varfarina evita a formação de coágulos dentro do átrio esquerdo do coração que possam futuramente se desalojar e causar um AVC.

As pessoas com diabetes podem reduzir o risco de aterosclerose se controlarem à risca os níveis de glicose no sangue.

O colesterol elevado também deve ser controlado à risca. As estatinas (classe de medicamentos para reduzir o colesterol) ajudam a prevenir o AVC. Se você não tem problemas de colesterol, faça um exame de sangue completo a cada 5 anos.

Para evitar um AVC, pratique atividade física regularmente e tenha uma alimentação saudável, rica em frutas e vegetais e com poucas gorduras saturadas, trans e colesterol. Pesquisas recentes revelaram que comer de duas a quatro porções de peixe por semana pode diminuir o risco de derrame. Um estudo mostrou que as pessoas que comem peixe frequentemente têm, em média, 50% menos risco de sofrer derrame em comparação com as pessoas que comem peixe de uma a três vezes por mês. Além disso, evite o consumo excessivo de álcool e nunca use cocaína ou anfetaminas.

Converse com seu médico sobre os benefícios de tomar ácido acetilsalicílico (AAS) diariamente. Doses diárias de 80 mg de AAS podem diminuir o risco de todos tipos de AVC, embora um tipo de AVC, o acidente vascular hemorrágico, tenha uma ocorrência ligeiramente maior quando se toma AAS todos os dias. Além do AAS, outros fármacos que ajudam a evitar a formação de coágulos são a ticlopidina e o clopidogrel. Todos esses medicamentos têm contra indicações e não são seguros para todas as pessoas.

Tratamento do AVC

O tratamento mais eficaz para o AVC é aquele administrado imediatamente em até três horas após o início dos sintomas. Por esse motivo, a comunidade médica se dedica a ensinar à população os sintomas do AVC e sempre frisa a necessidade de atendimento médico urgente.

Um medicamento que dissolve coágulos chamado ativador do plasminogênio tecidual (tPA) pode restituir o fluxo sanguíneo e oxigênio ao tecido cerebral afetado pelo acidente vascular isquêmico. As pessoas que recebem essa medicação têm menos sequelas de longo prazo após o derrame. No tratamento do acidente vascular isquêmico, os medicamentos anticoagulantes, como a heparina, são administrados algumas horas depois do AVC para evitar que os coágulos existentes fiquem maiores e para evitar a formação de novos coágulos. Depois que o AVC se estabilizar, os médicos geralmente receitam para os pacientes ácido acetilsalicílico ou anticoagulantes leves (como ticlopidina ou clopidogrel) para evitar outro AVC.

No tratamento do acidente vascular hemorrágico, o tPA não tem utilidade. Algumas vezes, o sangue extravasado precisa ser retirado através de cirurgia para diminuir a pressão no cérebro. Eventualmente, os exames podem revelar anormalidades nos vasos sanguíneos (como a dilatação das paredes de uma artéria, conhecida como aneurisma). Se for identificada alguma anormalidade nos vasos sanguíneos, uma cirurgia poderá ser necessária para evitar outro AVC.

Geralmente, quando a pessoa sofre um derrame mais grave de qualquer tipo ela fica internada para observação caso os sintomas se agravem. Um AVC grave pode afetar a respiração e algumas pessoas precisam da ajuda de aparelhos para respirar. As pessoas que sofrem um AVC precisam de ajuda dos outros para alimentação ou higiene pessoal. O tratamento precoce com um terapeuta ocupacional ou fisioterapeuta ajuda muito. Esses profissionais de saúde ajudam o paciente a contornar a nova deficiência e readquirir força após uma lesão cerebral. Normalmente, após receber alta, o paciente é encaminhado para um tratamento de reabilitação intensivo. O objetivo da reabilitação é recuperar ao máximo a saúde do paciente.

Quando Procurar Atendimento Médico

Se você ou alguém que estiver com você apresentar qualquer sintoma de um AVC, ligue para o seu médico ou disque 192 imediatamente. Se o contato não for possível, dirija-se ao pronto socorro mais próximo. Mesmo que os sintomas durem apenas alguns minutos, é importante ser examinado. Lembre-se: um ataque isquêmico transitório (AIT) pode ser um sinal de alerta de um AVC iminente.

AVC Tem Cura?

Se o fluxo sanguíneo ao cérebro for restituído rápida e totalmente, a pessoa pode se recuperar com poucas ou nenhuma sequela. Nas pessoas com acidente vascular isquêmico, o tratamento precoce com o fármaco tPA pode reduzir as sequelas significativamente. Nas pessoas com acidente vascular hemorrágico causado por anormalidades nos vasos sanguíneos, existe aproximadamente 2% a 3% de chances de um novo sangramento se a anormalidade não for tratada.

Fonte: Harvard Health Decision Guides – Todos os direitos reservados

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