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Aumentam os Casos de Meningite Eosinofílica no Brasil

A meningite eosinofílica é uma doença que acomete o sistema nervoso central. Trata-se de uma doença frequente em países asiáticos e ilhas do Pacífico. No Brasil, o primeiro caso registrado de meningite eosinofílica foi em 2006. De lá para cá, já foram confirmados pelo menos 34 casos da doença, de acordo com estudo publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz1.

Meningite Eosinofílica

A meningite eosinofílica tem esse nome em decorrência do aumento expressivo da quantidade de eosinófilos no sangue do paciente. Os eosinófilos são as células do nosso sistema imunológico especializadas no combate a parasitas. Neste caso, o parasita que provoca a doença é o verme Angiostrongylus cantonensis, transmitido principalmente por caramujos. Das várias espécies que transmitem o A. cantonensis, a principal é o caramujo gigante africano, que foi introduzido no Brasil na década de 1980, na busca por uma alternativa mais barata ao escargot. Com o fracasso comercial, esta espécie se tornou uma praga que se espalhou por todo o país, e representa riscos à saúde pública e à biodiversidade do país.

Na maioria dos casos, os sintomas da meningite eosinofílica aparecem de 1 a 2 semanas após o contágio. Dor de cabeça e rigidez do pescoço são os principais sintomas da doença, mas também podem ocorrer febre, problemas de visão, náusea e vômito.

A transmissão do Angiostrongylus cantonensis pode acontecer de duas formas: pela ingestão do caramujo mau cozido ou cru, e pelo contato com o seu muco. Menos frequentemente, outros animais também transmitem o verme, como caracóis, crustáceos, rãs e lagartos. O consumo de verduras, legumes e frutas crus sem a higienização adequada também pode levar à infecção, uma vez que os moluscos liberam muco sobre os alimentos e também podem acabar sendo picados e ingeridos despercebidamente junto com saladas ou temperos. Estima-se que, em 3% dos casos, a meningite eosinofílica pode levar à morte.

caramujo gigante africano

O caramujo gigante africano se tornou o principal vetor da meningite eosinofílica no Brasil. Foto: Eric Henrique – Todos os direitos reservados.


Medidas de prevenção

Os pesquisadores alertam que o número de casos da doença pode ser ainda maior, já que, por se tratar de uma doença emergente, ainda desconhecida pela maioria dos profissionais de saúde, nem todos os infectados são diagnosticados corretamente.

Segundo a pesquisadora Silvana Carvalho Thiengo, chefe do Laboratório de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz e uma das autoras do estudo, catar os caramujos é a principal medida recomendada para eliminá-los, e os próprios moradores podem fazer a limpeza de quintais e hortas infestados, adotando as devidas medidas de precaução. “Evitar o contato dos moluscos com as mãos é fundamental. Na ausência de luvas, deve-se usar um saco plástico para proteger a pele”, indica a bióloga, acrescentando que é importante recolher também os ovos, que costumam ficar semienterrados. Os animais e ovos recolhidos devem ser colocados em um recipiente, como balde ou bacia, e submersos em solução preparada com uma parte de hipoclorito de sódio (água sanitária) para três de água. Após 24 horas de imersão, a solução pode ser dispensada e as conchas devem ser colocadas em um saco plástico e descartadas no lixo comum. A lavagem das mãos após os procedimentos é fundamental, podendo ser realizada com sabão comum. O hipoclorito de sódio também deve ser utilizado para higienizar verduras, legumes e frutas, mas em uma concentração muito menor do que a usada para matar os caramujos: a orientação é colocar uma colher de sopa do produto em um litro de água e deixar os alimentos de molho por 30 minutos antes do consumo.

O estudo foi financiado pela CAPES, CNPq e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

1. Eosinophilic meningitis caused by Angiostrongylus cantonensis: an emergent disease in Brazil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, acessado em 18 de julho de 2014.

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