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Drogas

Ecstasy: O que Você Precisa Saber

Na sua forma original, o ecstasy é conhecido como MDMA. O MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina) foi originalmente desenvolvido pela empresa farmacêutica Merck, em 1912, como um medicamento para diminuir o apetite, mas foi abandonado em função de sua baixa utilidade clínica. O MDMA ressurgiu nos anos de 1960 como um possível auxiliar do processo psicoterapêutico. Alguns psiquiatras e psicólogos acreditavam que a substância deixava a pessoa mais solta, promovendo assim uma melhor comunicação e vínculo terapeuta-paciente. Foi nos anos de 1970 que o MDMA se popularizou como uma droga recreativa.

No início da década de 1980, o MDMA foi promovido como “a última novidade das pesquisas para se encontrar a felicidade através da química”, e “droga ideal” para festas de fim-de-semana. Em 1984, ainda legal, o MDMA era vendida sob o nome comercial “Ecstasy”, mas em 1985, a droga foi banida por motivos de segurança.

Desde o final dos anos de 1980, o ecstasy tornou-se um abrangente termo de marketing para os traficantes vender drogas “tipo Ecstasy” que podem, de fato, conter muito pouco ou nenhum MDMA. Em 1995, menos de 10% dos comprimidos de ecstasy no mercado eram puro MDMA. Embora o próprio MDMA possa produzir perigosos efeitos prejudiciais, aquilo que hoje em dia é chamado de Ecstasy pode conter uma ampla mistura de substâncias – desde LSD, cocaína, heroína, anfetaminas e metanfetaminas a veneno de rato, cafeína, vermífugos veterinários, etc. Apesar dos logotipos engraçados que os traficantes colocam nos comprimidos, o usuário nunca sabe o que ele está realmente consumindo, e é isso que torna o ecstasy particularmente perigoso. Os perigos são maiores quando os usuários aumentam a dosagem, à procura da mesma euforia que tinham em ocasiões anteriores, sem saber que estão consumindo uma combinação de drogas totalmente diferente.

ecstasy

O ecstasy é mais comercializado na forma de comprimido, podendo ainda ser encontrado na forma de cápsula, pó ou líquido. Foto: DEA


A droga apresenta efeitos semelhantes aos estimulantes do sistema nervoso central (agitação), bem como efeitos perturbadores (mudança da percepção da realidade). Seus efeitos mais marcantes são a sensação de melhora nas relações pessoais, o desejo de se comunicar, melhora na percepção musical e aumento da percepção das cores. Frequentemente o ecstasy é chamado de “comprimido do amor“, pois supostamente amplifica as sensações quando uma pessoa toca ou acaricia alguém, particularmente durante o ato sexual. À semelhança de outras drogas psicotrópicas, os efeitos do ecstasy dependem do local e do que acontece no momento do uso. O ambiente mais comum para o consumo é o de clubes noturnos e em raves, cujo cenário é enriquecido com jogos de luzes e música eletrônica. Além disso, o MDMA faz com que as pessoas consigam se perceber melhor e a gostar mais de si mesmas.

Porém, o ecstasy nunca é puro MDMA e, frequentemente contém alucinógenos mais potentes, que são drogas que agem no cérebro fazendo com que as pessoas vejam ou sintam coisas que não estão realmente acontecendo. Os alucinógenos baralham as imagens mentais e podem lançar a pessoa numa experiência triste ou assustadora do passado, onde ficará fixa sem que perceba isso.

Muitos usuários relatam ter um episódio depressivo nos dias após o uso do ecstasy, o que é chamada de depressão de meio de semana. Fadiga e insônia também são comuns.

Efeitos do Ecstasy

O uso de ecstasy é geralmente seguido de um grande esforço físico, devido a uma prática vigorosa de dança. Essa associação (esforço físico + ecstasy) tende a aumentar consideravelmente a temperatura corporal, que pode atingir mais de 42ºC e, inclusive, ser mortal.

Uma das complicações mais curiosas, no entanto, é a da intoxicação por água. Com o aumento da temperatura corporal, a ingestão de água torna-se uma necessidade. Mas, quando isso acontece de forma excessiva, a água pode começar a se acumular no organismo, uma vez que o ecstasy também dificulta a eliminação dos líquidos do corpo (aumenta a liberação do hormônio antidiurético). Dessa forma, a ingestão excessiva de água pode se tornar perigosa, inclusive fatal.

O ecstasy retarda os sinais naturais de alarme dados pelo corpo. Como resultado, depois de tomar a droga, a pessoa arrisca-se a ultrapassar as suas limitações físicas e resistência. Por exemplo, sob o efeito do ecstasy ela pode não perceber que ultrapassou a temperatura normal do corpo e pode desmaiar ou mesmo morrer de ataque cardíaco.

A curto prazo, além dos problemas de desidratação e hidratação excessiva, o ecstasy também pode causar disfunção do sistema imunológico, sendo esse quadro agravado quando há associação dessa substância com o álcool. Há também um curioso, porém significativo, ranger de dentes que pode ocorrer nos usuários de MDMA. Esse quadro é mais acentuado nos dentes posteriores e pode, inclusive, persistir após o uso da droga. O ecstasy causa, também, diminuição do apetite, dilatação das pupilas e aceleração do batimento cardíaco.

As pessoas que usam o ecstasy com frequência podem começar a apresentar problemas no fígado, como diminuição da capacidade de o fígado funcionar, e ficar com a pele amarelada (icterícia). Problemas cognitivos (aprendizagem, memória, atenção) podem surgir com o uso repetido por período prolongado.

O ecstasy também pode desencadear problemas psiquiátricos, como quadros esquizofreniformes (formas de loucura), pânico (estados de alerta intenso, com medo e agitação) e depressão. Esses problemas têm maior ou menor probabilidade de ocorrer, dependendo das características da pessoa, do momento de sua vida, da frequência e do contexto de uso.

Estatísticas de Consumo do Ecstasy

O gabinete sobre Drogas e Crimes das Nações Unidas calcula em mais de 9 milhões os usuários de ecstasy em todo mundo. A vasta maioria dos consumidores são adolescentes ou jovens adultos.

No Brasil, no início dos anos 90 começaram a chegar as primeiras remessas consideráveis de ecstasy vindas da Europa. A partir daí, tem crescido o número de usuários, bem como o número de apreensões da droga pela polícia, e os registros de mortes associadas ao consumo de ecstasy no Brasil.

Segundo o VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública e Privada nas Capitais Brasileiras, realizado em 2010, 2,6% dos jovens de 17 e 18 anos de idade já usaram ecstasy pelo menos uma vez na vida.

Depoimentos de Usuários de Ecstasy

  • Teve uma festa rave que eu vi um sujeito enchendo a cara de ecstasy, e repetindo durante horas: ‘Sou uma laranja, não me descasquem.’ Outro achava que era uma mosca e não parava de bater com a cabeça numa janela“. — Liz
  • Com muita sorte, estou viva, mas ficam os dias, meses e anos após o trauma. Tenho que lidar com o que aconteceu pelo resto da minha vida…andei experimentando tudo que se possa imaginar. Depressão, ansiedade, estresse, pesadelos constantes e fortes dores de cabeça são algumas das coisas que me afetaram depois de tomar ecstasy. Quase morri. Bastou uma noite, uns comprimidos e beber álcool. Essa combinação tinha tudo para ser fatal e agradeço a Deus por estar viva. Não consigo descrever como é difícil lidar com esses pesadelos o tempo todo. Acordo toda suada agradecendo a Deus por ser apenas mais um pesadelo. Oro para que, com o tempo, os pesadelos desapareçam“. — Mila
  • As festas rave são boas desde que você não tome ecstasy. Mas logo que começa o agito da festa, você acha que as pessoas que te avisam para parar são idiotas. Você começa a pensar que descobriu algo fantástico e que os outros não devem se intrometer na sua vida. Quando você começa a gostar do ecstasy, aí é tarde demais, já era!“. — Alan
  • O ecstasy me deixou doida. Um dia mordi um copo, da mesma forma que teria mordido uma maçã. Tive que encher a boca de cacos de vidro para perceber o que estava acontecendo comigo. Antes, eu já tinha rasgado um vestido meu com os dentes durante uma hora“. — Ana

Fontes: Fundação Para um Mundo Sem Drogas, CEBRID e Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.

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