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Gravidez

Novo Exame de Urina Pode Prever Problemas na Gravidez

Um novo exame não invasivo poderá ser usado no início da gravidez para prever nascimento prematuro e baixo desenvolvimento fetal.

Os problemas de saúde na infância relacionados ao parto prematuro e à restrição do crescimento fetal, são: déficit de crescimento, ganho rápido de peso, doenças cardiovasculares, entre outros.

Parto prematuro é quando o bebê nasce antes da 37º semana de gravidez. A restrição do crescimento fetal ocorre quando o peso do recém nascido é 10% menor em comparação com o peso ao nascer normal.

O parto prematuro é relativamente comum no Brasil – segundo estudo, o número de partos prematuros representa 11,7% de todos os partos realizados no país1.

Um estudo publicado recentemente na revista médica online BMC Medicine descobriu que a Grécia teve um nítido aumento de partos prematuros nos últimos 20 anos. Os pesquisadores examinaram mães e seus bebês na tentativa de encontrar biomarcadores que possam servir de base para um teste de rastreamento para parto prematuro ou restrição do crescimento fetal. Acompanhando a metodologia usada em pesquisas anteriores sobre o assunto, foram estudados os metabólitos urinários para determinar o risco de parto prematuro e restrição do crescimento fetal.

Os pesquisadores queriam saber se anormalidades no acúmulo de lipídeos e algumas vias metabólicas no 1º trimestre pudessem prever problemas de crescimento fetal. Alterações significativas destes fatores no 1º trimestre são necessárias para facilitar o desenvolvimento do feto.

A equipe analisou os metabólitos encontrados na urina de 438 gestantes, e constatou que níveis elevados do aminoácido lisina estavam associados com parto prematuro espontâneo. Os pesquisadores também descobriram que níveis elevados de uma glicoproteína acetilada foram encontradas em mulheres que já tiveram partos induzidos anteriormente.

Também foram identificados biomarcadores metabólicos para a restrição do crescimento fetal. Níveis baixos das moléculas acetato, formiato, tirosina e trimetilamina estavam associados com a restrição do crescimento fetal. Além disso, as mulheres com baixos níveis destes metabólitos tinham maior risco de diabetes, já que podem ter elevação da insulina no sangue.

exame de urina

Pesquisadores europeus descobriram compostos orgânicos na urina de mulheres grávidas que podem aumentar o risco de parto prematuro e restrição do crescimento fetal. Foto: 123dan321 / Free Images.


Hector Keun, pesquisador do Departamento de Cirurgia e Câncer no Imperial College London, Inglaterra, explica a descoberta:

Já sabíamos que o metabolismo da mãe muda substancialmente durante a gravidez para ajudar no suprimento de nutrientes para o feto em crescimento, mas ficamos surpresos em ver tão precocemente na gravidez uma relação entre metabólitos que podem ser facilmente detectados em uma amostra de urina e baixo peso ao nascer.

Nossas descobertas indicam que, usando tecnologia não invasiva de perfil metabólico no início da gravidez, poderia ser possível aperfeiçoar a identificação de mulheres com risco maior de dar à luz bebês menores ou de ter parto prematuro.”

Keun afirma que estudos adicionais dos fatores que produzem as moléculas associadas com nascimento prematuro e restrição do crescimento fetal vão ajudar a reduzir a probabilidade destes prognósticos nocivos da gravidez.

“Também vamos testar se a exposição a estes metabólitos durante a gravidez tem algum impacto permanente no desenvolvimento da criança após o nascimento,” acrescenta. A equipe de pesquisadores vai repetir o estudo em vários países para entender os fatores causais por trás das observações.

Artigo original: New urinary test can predict preterm birth and poor fetal growth. Medical News Today, 12 de julho de 2014.
1. Prematuridade e suas possíveis causas. Unicef, 2013.

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