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Doenças

Intoxicação por Mercúrio

O mercúrio é um metal pesado altamente tóxico para a saúde humana, especialmente para o desenvolvimento fetal dentro do útero. O mercúrio pode ser encontrado em diferentes formas na natureza: elementar (metálico); inorgânico (cloreto de mercúrio, por exemplo); e orgânico (etil- e metilmercúrio).

Cada forma de mercúrio tem diferentes níveis de toxicidade e consequências para a saúde e, portanto, diferentes formas de prevenção. O mercúrio elementar tem a forma líquida à temperatura ambiente e se evapora facilmente, podendo permanecer na atmosfera por até um ano. O mercúrio sai da atmosfera através das chuvas, que o levam para os rios, mares e solos, onde ele pode se transformar em metilmercúrio. Essa forma de mercúrio é absorvida pelas algas, peixes e frutos do mar. As espécies de peixe que mais acumulam mercúrio acabam sendo os peixes carnívoros (como tubarão e marlim), pois se alimentam de pequenos peixes.

Estima-se que, aproximadamente, 1/3 do mercúrio que circula no meio ambiente ocorre de forma natural (erupções vulcânicas, por exemplo), e os 2/3 restantes por causa da ação do homem (processos industriais, por exemplo).

termometro

A quebra de termômetros está entre as causas de exposição ao mercúrio nos serviços de saúde. Foto: Lukasz Tyrala/Free Images.


Fontes de Exposição ao Mercúrio

  • Processos industriais. Como já foi dito, a maior parte do mercúrio presente no meio ambiente é provocado pela ação humana, principalmente através da queima do carvão, de sistemas de aquecimento residenciais e da incineração de lixo. O mercúrio também pode ser liberado na atmosfera como resultado da mineração e refino de metais, como mercúrio, ouro, chumbo, cobre, zinco e prata.
  • Alimentação. A ingestão de peixes e crustáceos contaminados é a principal fonte de exposição ao metilmercúrio, principalmente entre a população que depende muito do consumo de peixes carnívoros para sua sobrevivência. O cozimento não elimina o mercúrio dos peixes.
  • Serviços de saúde. Uma quantidade significante de mercúrio liberado no meio ambiente é causada pelo uso de termômetros e aparelhos para medir pressão, bem como pela incineração do lixo hospitalar. Em 2007, uma pesquisa feita nos hospitais de Buenos Aires, Argentina, revelou que eram perdidos em média 40.000 termômetros por ano, principalmente por quebra.

    O amálgama dental é outra fonte em potencial de exposição pois contém até 50% de mercúrio elementar. O uso deste material representa um risco principalmente para os cirurgiões-dentistas.

    O timerosal, que contém 49.6% de etilmercúrio, é uma substância que vem sendo usada como conservante de vacinas desde os anos de 1930. Como o etilmercúrio não se acumula no organismo e é excretado nas fezes, o risco para a saúde é pequeno. A preocupação em relação ao tema surgiu em 1999 por causa da quantidade de mercúrio utilizada nos calendários de vacinação infantil. Em 2006, o Comitê Global de Consulta para a Segurança das Vacinas da OMS conclui que não há motivos para modificar as atuais práticas de imunização. No entanto, a OMS continua revisando essa evidência para os casos de bebês prematuros e subnutridos.

  • Práticas tradicionais. O uso de mercúrio elementar em algumas terapias, religiões e práticas (Santeria e Vodu, por exemplo) representa um risco de exposição devido à prática em si ou por vazamento acidental. No entanto, a dimensão do problema é desconhecida. O uso de cosméticos que contêm mercúrio pode causar exposição significativa.

Limites de Segurança Preconizados Pela OMS

  • Água: 1 µg/litro para total de mercúrio
  • Ar: 1 µg/m3 (média anual)

A OMS estimou que a concentração tolerável para exposição a longo prazo à inalação do vapor de mercúrio é de 0.2 µg/m3; já a ingestão de mercúrio total tolerada é de 2 µg/kg corporal ao dia.

Sintomas e Efeitos da Intoxicação por Mercúrio

  • O mercúrio elementar e o metilmercúrio são tóxicos ao sistema nervoso central e periférico. A inalação de vapor de mercúrio pode causar efeitos prejudiciais potencialmente fatais aos pulmões, rins e aos sistemas nervoso, digestivo e imunológico. Os sais de mercúrio inorgânicos podem ser corrosivos para a pele, olhos e trato gastrointestinal e, se ingeridos, podem causar intoxicação dos rins.
  • Após ser inalado, ingerido ou absorvido pela pele, o mercúrio pode causar transtornos neurológicos e comportamentais. Os sintomas são tremores, insônia, perda de memória, efeitos neuromusculares, dor de cabeça e déficit cognitivo e motor. Alguns sinais leves podem ser observados em trabalhadores expostos a níveis acima de 20µg/m3 de mercúrio elementar no ar por vários anos. Foram relatados efeitos nos rins e sistema imunológico. Não existem evidências conclusivas que relacionem a exposição ao mercúrio com câncer em humanos.
  • As crianças são mais vulneráveis à exposição ao mercúrio. O metilmercúrio bioacumulado nos peixes consumidos por mulheres grávidas pode causar problemas no desenvolvimento neurológico do feto. A exposição transplacentária é a mais perigosa porque o cérebro do feto é muito sensível. Os sintomas neurológicos são retardo mental, convulsões, perda de visão e audição, atraso no desenvolvimento, transtornos de linguagem e perda de memória. Há relatos de que uma síndrome que afeta as extremidades dos membros chamada acrodinia infantil resulta da exposição crônica da criança ao mercúrio.
  • A medição biológica de mercúrio, no cabelo e no sangue, por exemplo, permite saber o grau de exposição e os possíveis efeitos à saúde, bem como permite estimar a carga da doença.

Tratamento da Intoxicação por Mercúrio

O médico, após fazer perguntas sobre o tipo de exposição ao mercúrio que a pessoa teve, ele fará um exame físico a fim de monitorar todos os sinais vitais do paciente, como temperatura, batimentos cardíacos, respiração e pressão sanguínea. O tratamento é específico para cada tipo de mercúrio. Daí a necessidade de relatar ao médico informações como a profissão da pessoa, nome do produto cosmético usado e se houve inalação acidental do conteúdo de lâmpadas fluorescentes ou termômetros quebrados.

Mercúrio Elementar

O tratamento da intoxicação por mercúrio elementar inalado pode não ser tão simples. O paciente poderá receber:

  • Ar ou oxigênio umidificados
  • Respiração por aparelhos
  • Aspiração do mercúrio para fora dos pulmões
  • Medicação para remover mercúrio e metais pesados do organismo

Mercúrio Inorgânico

Para tratar a intoxicação por mercúrio inorgânico, geralmente é adotado um tratamento de suporte. O paciente poderá receber:

  • Soro na veia
  • Medicamentos para tratar os sintomas
  • Carvão ativado – um medicamento que absorve muitas substâncias tóxicas do estômago
  • Medicamentos chamados quelantes, que removem o mercúrio do sangue

Mercúrio Orgânico

O tratamento da intoxicação por mercúrio orgânico também consiste na administração de agentes quelantes, que removem o mercúrio do sangue, cérebro e rins. Geralmente, esses remédios precisam ser usados por semanas ou meses.

Quando Procurar Atendimento Médico

Procure atendimento médico imediatamente se você ou alguém da sua família tiver os sintomas de intoxicação por mercúrio.

Fique sempre atento para não se expor às diferentes formas de mercúrio. O vapor de mercúrio (liberado na quebra de termômetros e lâmpadas fluorescentes, por exemplo) não possui cheiro nem cor. Se você consome peixe diariamente, procure substituir em alguns dias da semana a sua fonte de proteína, principalmente se o peixe vier de regiões onde há garimpo de metais.

Intoxicação por Mercúrio Tem Cura?

A inalação de uma pequena quantidade de mercúrio elementar causará pouquíssimos (ou nenhum) efeitos colaterais a longo prazo. No entanto, se a quantidade for maior, será necessária uma longa internação hospitalar. É provável que haja lesão pulmonar permanente. Pode haver também alguma lesão cerebral. Uma exposição a grandes quantidades de mercúrio pode levar à morte.

Uma superdose de mercúrio inorgânico pode causar intensa perda de sangue e líquidos, insuficiência renal e, possivelmente, óbito do paciente.

O tratamento da lesão cerebral causada por mercúrio orgânico é complicado. Embora algumas pessoas nunca se recuperem, há relatos de sucesso de pacientes tratados com agentes quelantes.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)

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