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Perder Peso

Falta de Melatonina Causa Obesidade e Diabetes

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) constataram que a melatonina pode ser uma importante aliada no combate a distúrbios metabólicos, entre eles diabetes, hipertensão e obesidade.

A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, principalmente a partir das 20:00 horas, e sua principal função é regular o sono. No entanto, os estudos constataram que a melatonina também controla a ingestão alimentar, o gasto de energia – bem como seu acúmulo no tecido adiposo –, e a produção e a ação da insulina nas células.

Além disso, o hormônio do sono (como é conhecida a melatonina) combate a pressão alta, regula a resposta do organismo à atividade física aeróbica e participa da formação de neurônios durante o desenvolvimento fetal e pós-natal.

Parte destes resultados foi publicada em 2014 no Journal of Neuroendocrinology e no Journal of Pineal Research.

melatonina

Pesquisadores brasileiros verificaram uma relação entre sono desregulado e distúrbios metabólicos, como obesidade, hipertensão e diabetes, causada pela falta de melatonina. Foto: Deviant Art.


Segundo o coordenador da pesquisa, Dr. José Cipolla Neto, quanto menor o nível de melatonina no sangue, maior é a tendência de desenvolver distúrbios metabólicos que causam a obesidade. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores fizeram uma série de experiências em laboratório com ratos. Basicamente, eles retiravam a glândula pineal dos animais e passavam a observar os efeitos da falta do hormônio nos tecidos metabolicamente importantes, como adiposo, muscular, fígado, sistema nervoso central e pâncreas. Dois ou três meses depois, sem nenhuma outra mudança na rotina ou na dieta, o animal já apresentava resistência à insulina, hipertensão e princípio de obesidade, juntamente com alterações no ritmo circadiano (sono desregulado). Porém, com a reposição de melatonina, o quadro era completamente revertido. Isso também ocorre com qualquer pessoa que, por algum motivo, passa a ter uma produção menor de melatonina.

Os pesquisadores constataram que o principal fator que diminui a produção de melatonina é, sem dúvida, a exposição à luz no período noturno (fotoestimulação). Aplicando os resultados aos seres humanos, verifica-se que as pessoas que ficam vendo TV ou mexendo no smartphone ou computador noite adentro e aquelas que trabalham à noite são os grupos com mais probabilidade de ter níveis baixos de melatonina. “Esse pode ser um dos fatores por trás da epidemia de obesidade da sociedade contemporânea”, afirma Cipolla Neto. Outros fatores que também diminuem os níveis de melatonina são a glicose no sangue alta (hiperglicemia) e alguns medicamentos anti-hipertensivos.

Melatonina na veia

Para evitar a diminuição de melatonina, Cipolla Neto orienta que as pessoas não fiquem expostas à luz durante o período noturno, principalmente ao comprimento de onda da luz azul, de 480 nanômetros, que controla a ritmicidade circadiana e a produção de melatonina. Esse é justamente o comprimento de onda emitido pelo LED de luz azul presente em computadores, televisores e smartphones. Há empresas que vendem películas para colocar na tela e filtrar a luz azul. É uma forma de lidar com o problema.

Porém, o Dr. José Cipolla Neto observa que há casos em que a suplementação de melatonina se faz necessária, como no tratamento de alguns tipos de insônia e também do jet lag (descompensação do ritmo circadiano causada por viagens).

Embora seja proibida no Brasil pela Anvisa, Cipolla Neto acredita que, no futuro, muitos médicos vão prescrever suplementação de melatonina para combater obesidade, hipertensão, diabetes, e outros distúrbios metabólicos.

Fonte: Agência Fapesp

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