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Incidência de Câncer de Pulmão Diminui com a Altitude

Ao passo que quase 90% dos casos de câncer de pulmão estejam relacionados ao cigarro, um novo estudo sugere que o oxigênio atmosférico pode ter um papel na formação de tumores pulmonares.

O estudo, feito por pesquisadores das Universidades da Pensilvânia e da Califórnia, foi publicado na revista científica online de livre acesso, PeerJ.

Ao explorar a relação inversa da concentração de oxigênio com a altitude, pesquisadores constataram menos casos de câncer de pulmão em altitudes elevadas, uma tendência que não se percebe nos demais tipos de câncer, sugerindo que o agente carcinogênico ocorre através da respiração.

O oxigênio é altamente reativo, e mesmo quando usado pelas nossas células na geração de energia ele produz resíduos, conhecidos como radicais livres, que podem causar danos e mutações às células.

altitude

Quanto mais elevada a altitude, mais rarefeito é o ar, o que diminui a quantidade de oxigênio que respiramos. Foto: Christopher Bruno / Free Images.


O oxigênio representa 21% dos gases da atmosfera, e a baixa pressão que ocorre nas altitudes elevadas faz com que o nosso corpo respire menos oxigênio – um efeito famoso por prejudicar atletas quando competem em altitudes elevadas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a concentração de oxigênio no condado de San Juan, Colorado (3.473 m), é 34,9% menor em relação ao condado de Imperial, Califórnia (-11 m).

O estudo avaliou a incidência de quatro tipos de câncer – pulmão, mama, intestino e próstata – em 260 condados do oeste americano com mais de 30 variáveis que pudessem descartar outros efeitos capazes de influenciar os resultados, como poluição, tabagismo, índice pluviométrico, entre outros. A pesquisa revelou que, quanto maior a altitude do lugar, menor é a incidência de câncer de pulmão.

O efeito da altitude foi significante com a incidência de câncer pulmonar: a cada 1.000 metros de altitude ela diminui em 7,23 casos por 100.000 habitantes. Nos outros três tipos de câncer avaliados, não se observou essa associação ou ela era insignificante.

No entanto, os autores do estudo ressaltam que a associação observada não prova que o oxigênio causa câncer de pulmão. Eles afirmam que estas análises devem ser repetidas em outras regiões e países do mundo para que se possa comprovar esta associação entre o oxigênio atmosférico e o câncer de pulmão.

Por outro lado, eles concordam que, caso seja comprovada esta associação, as implicações médicas poderiam ser extensas. “Se todos os condados dos Estados Unidos estivessem na altitude de San Juan, Colorado (3.473 m), estimamos que teríamos 65.496 novos casos de câncer de pulmão a menos por ano”, afirmaram os coordenadores do estudo, Kamen Simeonov (Universidade da Pensilvânia) e Daniel Himmelstein (Universidade da Califórnia).

Artigo original: Lung cancer rates ‘decrease with elevation,’ study finds – Medical News Today, 14 de janeiro de 2015.

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