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Saúde Mental

Medidas de Austeridade na Grécia Aumentam os Casos de Suicídio

Um novo estudo, publicado na revista médica BMJ Open, analisou as taxas de suicício na Grécia de 1983 até o final de 2012 – um período de 30 anos marcado por altos e baixos na economia.

“Apesar de ter, historicamente, uma das menores taxas de suicídio no mundo, a Grécia tem sido o país europeu mais afetado pela retração financeira global,” escrevem os autores do estudo.

Em 2012, Dimitris Christoulas, um farmacêutico aposentado, se suicidou com um tiro em frente ao Parlamento, em Atenas. Em sua carta de suicídio, Christoulas culpou as políticas de austeridade do governo por sua decisão de tirar a própria vida.

Esta tragédia foi um dos muitos eventos de destaque na mídia que os autores selecionaram para compor a análise temporal de 30 anos com o intuito de verificar como a austeridade econômica afeta as taxas de suicídio. Diversos eventos relacionados à prosperidade, como os Jogos Olímpicos de 2004, também foram usados para comparação.

Aumento acentuado de suicídios a partir de junho de 2011

Segundo o ELSTAT, órgão oficial de estatística da Grécia, 11.505 pessoas cometeram suicídio entre 1983 e 2012 – 9.079 homens e 2.426 mulheres.

As medidas de austeridade foram adotadas em junho de 2011, e coincidem com um aumento de 35% nos casos de suicídio – em média, 11,2 suicídios a mais por mês – que se manteve ao longo de 2011 e 2012.

De uma forma geral, a taxa de suicídios entre homens começou a subir cerca de 13% em 2008, quando teve início a recessão econômica. O suicídio de Christoulas foi associado a um breve aumento de 30% – 9,8 suicídios a mais por mês.

austeridade

Estudo que mostra a relação entre a situação econômica nacional e suicídios na Grécia foi feito por pequisadores da Grécia, Estados Unidos e Reino Unido. Foto: Piotr Ciuchta / Free Images.


Em contraste, a adesão da Grécia ao Euro em janeiro de 2002, um evento significativo de prosperidade, foi associada com uma queda abrupta, ainda que breve, de 27% nos casos de suicídio entre homens.

Segundo os pesquisadores, a instabilidade econômica afetou principalmente os homens que eram os principais responsáveis pela renda familiar, na comparação com as mulheres. No entanto, os suicídios entre mulheres também aumentaram juntamente com eventos associados à austeridade. A partir de maio de 2011, a taxa de suicídio entre as mulheres gregas aumentou quase 36% e, como aconteceu com os homens, se manteve até 2012.

Agora, com a chegada do partido Syriza ao poder defendendo o fim das medidas de austeridade na Grécia, será que o país terá alguma melhora no bem estar dos cidadãos e na economia? Só o tempo vai dizer.

Artigo original: Austerity measures in Greece linked to sharp rise in suicides, Medical News Today, 03 de fevereiro de 2015.

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