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Perder Peso

Dieta Paleolítica Faz Mal?

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Os cientistas sempre criticaram dietas da moda que não tenham embasamento científico popularizadas por celebridades. O caso mais recente é o estudo publicado na revista médica Nutrition & Diabetes no qual se constatou que apenas 8 semanas de dieta paleolítica podem resultar em ganho de peso e aumento do risco de problemas de saúde.

Os divulgadores da dieta paleolítica, também chamada de “dieta paleo” ou “dieta do homem das cavernas”, recomendam o consumo exclusivo de alimentos que estavam disponíveis aos nossos ancestrais caçadores/coletores.

dieta paleolítica

No estudo, ratos que consumiram alimentos semelhantes aos da dieta paleolítica tiveram ganho de peso. Foto: Universidade de Melbourne.


Setores da mídia, como chefs famosos, tabloides e programas de TV, estão incentivando cada vez mais pessoas a experimentar essa e outras dietas, apesar da falta de evidências em relação aos benefícios para a saúde. Em 2014, a dieta paleolítica foi a dieta mais pesquisada na internet.

Os adeptos da dieta paleolítica consomem mais proteína, fibra alimentar e gordura, e menos açúcar e carboidratos na comparação com a nossa atual alimentação ocidental.

Entre os alimentos “permitidos” estão carnes de animais alimentados com capim, peixes, frutos do mar, frutas, hortaliças, ovos, castanhas, sementes e óleos saudáveis, como azeite de oliva.

Já os alimentos que devem ser evitados incluem grãos, legumes (feijão e soja, por exemplo), laticínios, açúcar refinado, batatas, alimentos industrializados, sal e óleos vegetais refinados.

Riscos de ganho de peso e diabetes com a dieta paleolítica

Trocar os alimentos industrializados e o açúcar refinado por mais frutas e hortaliças pode ajudar a perder peso, bem como uma baixa ingestão de carboidratos evita níveis altos de glicose no sangue após a refeição.

No entanto, a perda de peso não é automática com a dieta paleolítica. Pior, a ingestão de muita gordura, tanto por pessoas magras ou obesas, pode causar o acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), limitando a ação da insulina sobre a glicose liberada pelo órgão na corrente sanguínea.

Pesquisadores da Universidade de Melbourne, Austrália, preocupados com os perigos da dieta paleolítica, especialmente para pessoas obesas, sedentárias e diabéticas, utilizaram dois grupos de ratos obesos com sintomas de pré-diabetes no estudo em questão.

Os ratos do grupo 1 fizeram a dieta paleolítica durante 8 semanas, com 60% de teor de gordura e 20% de carboidratos. Os ratos do grupo controle ingeriram sua alimentação habitual, com 3% de teor de gordura.

Após 8 semanas, o grupo da dieta paleolítica ganhou peso e aumentou sua tolerância à glicose e à insulina. Os ratos ganharam 15% de seu peso corporal, e sua massa gorda quase dobrou.

Esse “ganho de peso extremo” equivale a uma pessoa que pesa 80 kg passar para 92 kg em 2 meses. Isso aumenta o risco de pressão alta, problemas ósseos, artrite, ansiedade, depressão e, potencialmente, glicose e insulina no sangue elevadas e, por fim, diabetes.

Em suma, afirma o autor do estudo, o professor associado Sof Andrikopoulos, comer muita gordura não faz bem.

O professor Andrikopoulos, que também é presidente da Sociedade Australiana de Diabetes, conclui:

Existe uma mensagem de saúde pública muito importante aqui. Você deve tomar muito cuidado com as dietas da moda, sempre buscar ajuda profissional para o controle de peso e sempre procurar dietas embasadas por evidências.”

Ao invés da dieta paleolítica, ele recomenda a dieta mediterrânea para pessoas com pré-diabetes ou diabetes pois, segundo ele, “está embasada por evidências e é uma dieta com baixo teor de açúcar refinado e rica em óleos saudáveis, como óleo de peixe e azeite de oliva extra virgem, legumes e proteína.”

Fonte: How safe is the Paleo diet? – Medical News Today.

Estudo: A low-carbohydrate high-fat diet increases weight gain and does not improve glucose tolerance, insulin secretion or β-cell mass in NZO mice – Nutrition & Diabetes.

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