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Doenças

Placebo: Como Funciona? O que é Efeito Placebo?

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Placebo é um tratamento ou procedimento médico ineficaz desenvolvido intencionalmente para enganar um paciente ou participante de um experimento científico.

Embora, à primeira vista, isso pareça algo estúpido e sem lógica, é exatamente o contrário. Os placebos são fundamentais no desenvolvimento de ensaios clínicos confiáveis e seus efeitos surpreendentes são objeto de vários estudos.

O efeito placebo diz respeito ao impacto que o placebo exerce sobre uma pessoa. Em outras palavras, até mesmo um tratamento inerte e inativo pode produzir respostas quantificáveis e positivas de saúde. Esse resultado parece desafiar o bom senso, mas tem sido comprovado repetidamente.

placebo

Embora não contenha princípio ativo, um comprimido placebo é capaz de desencadear uma resposta benéfica do nosso organismo contra vários problemas de saúde. Foto: Adam Ciesielski / Free Images

O que é efeito placebo?

Considera-se efeito placebo qualquer efeito, físico ou psicológico, que um medicamento (ou procedimento) placebo tenha sobre um indivíduo. O placebo se tornou um componente fundamental de todo bom ensaio clínico.

Nos primeiros ensaios clínicos, os efeitos de um novo medicamento eram comparados com um grupo de pessoas que não tinha tomado nenhuma medicação.

No entanto, quando se descobriu que o simples ato de tomar uma cápsula vazia poderia produzir efeito placebo, o placebo passou a ser essencial para acrescentar um terceiro grupo de participantes. Este grupo adicional toma um comprimido sem princípio ativo (de farinha, por exemplo) para posterior comparação de resultados entre os três grupos.

Para que um novo medicamento possa ser comercializado, as empresas farmacêuticas precisam provar que seu efeito é maior do que não tomar nada, mas também que o efeito é maior do que um placebo.

As intervenções com placebos variam em efeito dependendo de vários fatores. Por exemplo, uma injeção provoca um efeito placebo maior do que um comprimido. Dois comprimidos funcionam melhor do que apenas um, cápsulas são melhores que comprimidos e quanto maior a pílula, melhor.

Os cientistas descobriram que até a cor das pílulas faz diferença nos resultados do placebo: vermelha, amarela e laranja são associadas a um efeito estimulante, enquanto azul e verde são relacionadas a um efeito tranquilizante.1

Procedimentos como a acupuntura sham, que usa agulhas retráteis que não furam a pele, tem se mostrado tão eficaz quanto a acupuntura tradicional.2-4

Os placebos são capazes de reduzir os sintomas de vários problemas de saúde, como depressão, mal de Parkinson, ansiedade e fadiga. 5, 6

Para aumentar ainda mais o mistério do efeito placebo, um estudo verificou que ele varia de acordo com a cultura do lugar. No tratamento de úlceras gástricas, o efeito placebo é pequeno no Brasil, maior na Europa setentrional e particularmente elevado na Alemanha. No entanto, o efeito placebo no tratamento da hipertensão na Alemanha é menor do que em qualquer lugar do mundo. 7

Exemplos de efeito placebo

Estudos mostraram que o efeito placebo influencia nos seguintes problemas de saúde:

Dor: a capacidade de um placebo diminuir a dor é chamada de analgesia placebo. Há duas hipóteses para que isso ocorra: o placebo desencadeia a liberação de endorfinas – os analgésicos que nosso corpo produz – ou ele altera a percepção de dor do paciente.

Além disso, descobriu-se que os medicamentos analgésicos são mais eficazes quando o paciente sabe que está tomando um remédio de combate à dor, do que simplesmente tomá-lo sem ter conhecimento disso. 8

Depressão: acredita-se que uma parcela substancial do efeito dos antidepressivos deve-se ao efeito placebo. Uma revisão de oito estudos descobriu que mesmo em períodos acima de 12 semanas, os antidepressivos placebos mostravam-se eficazes, o que demonstra o impacto potencialmente duradouro dos placebos. 9

Distúrbios de ansiedade: o efeito placebo é particularmente prevalente nos ensaios clínicos para desenvolvimento de calmantes e contribui significativamente na descoberta de novas formas de medicação. 10

Tosse: uma revisão de ensaios clínicos acerca de medicamentos para tosse descobriu que “85% da diminuição da tosse está relacionada a tratamento com placebo e somente 15% é atribuído ao ingrediente ativo”. 11

Impotência sexual: em um estudo, os participantes foram divididos em três grupos. Um grupo foi informado que receberia um medicamento para disfunção erétil; o segundo grupo, que alguns receberiam placebo e outros medicamento para disfunção erétil; e o terceiro grupo, que receberia apenas placebo. Na verdade, todos os grupos receberam comprimidos de placebo, e todos eles apresentaram melhoras significativas no quadro de impotência sexual, sem qualquer diferença significativa de desempenho entre os três grupos. 12

Síndrome do intestino irritável: uma meta-análise descobriu que o índice da resposta placebo variava de 16% a 71,4%. Também percebeu-se que o efeito placebo é maior nos ensaios clínicos em que os participantes precisam tomar a medicação com menos frequência, e indivíduos com níveis menores de ansiedade aparentemente estão mais suscetíveis ao efeito placebo. 13 Uma abordagem mais pessoal por parte dos médicos melhora o efeito placebo. 14

Curiosamente, outro ensaio clínico descobriu que mesmo quando os participantes sabem que estão tomando placebo, os sintomas da doença melhoravam. 15

Mal de Parkinson: uma revisão de 11 ensaios clínicos descobriu que 16% dos participantes de grupos placebos mostraram melhoras significativas, que às vezes duravam por 6 meses. 16 O efeito se deve, ao menos em parte, à liberação de dopamina no corpo estriado do cérebro. 17

Epilepsia: os participantes de ensaios clínicos de medicamentos antiepiléticos têm uma resposta placebo de 0-19%, que reduziu em 50% a frequência dos ataques epilépticos. 18

Artigo original: Placebos: How Do They Work? What Is The Placebo Effect? – Medical News Today.

Referências:

1. Effect of colour of drugs: systematic review of perceived effect of drugs and of their effectiveness, AJ de Craen et al., BMJ, publicado em Dezembro de 1996.

2. Sham acupuncture may be as efficacious as true acupuncture: a systematic review of clinical trials, Howard H. Moffet, The Journal of Alternative and Complementary Medicine, publicado online em 17 de Março de 2009.

3. Relief of chronic neck and shoulder pain by manual acupuncture to tender points—a sham-controlled randomized trial, T. Nabeta and K. Kawakita, Complementary Therapies in Medicine, publicado em Dezembro de 2002.

4. Acupuncture for migraine prophylaxis, Klaus Linde et al., São Paulo Medical Journal, publicado em Dezembro de 2015.

5. The neural correlates of placebo effects: a disruption account, MD Lieberman et al., Neuroimage, publicado em Maio de 2004.

6. Harvard Magazine, The placebo phenomenon, acessado em 11 de Fevereiro de 2016.

7. Cultural variations in the placebo effect: ulcers, anxiety, and blood pressure, DE Moerman, Medical Anthropology Quarterly, publicado em março de 2000.

8. A comprehensive review of the placebo effect: recent advances and current thought, Donald D. Price et al., Annual Review of Psychology, publicado em junho de 2007.

9. The persistence of the placebo response in antidepressant clinical trials, A. Khan et al., Journal of Psychiatric Research, publicado em novembro de 2007.

10. Placebo response in anxiety disorders, Marlena A. Piercy et al., Annals of Pharmacotherapy, publicado em setembro de 1996.

11. The powerful placebo in cough studies?, R. Eccles, Pulmonary Pharmacology & Therapeutics, publicado em maio de 2002.

12. The management of erectile dysfunction with placebo only: does it work?, AC de Araujo et al., The Journal of Sexual Medicine, publicado em setembro de 2009.

13. The placebo effect in irritable bowel syndrome trials: a meta-analysis, SM Patel et al., Neurogastroenterology & Motility, publicado em março de 2005.

14. Placebo effect in clinical trial design for irritable bowel syndrome, Eric Shah e Mark Pimentel, Journal of Neurogastroenterology & Motility, publicado em abril de 2014.

15. Placebos without deception: a randomized controlled trial in irritable bowel syndrome, Ted J. Kaptchuk et al., PLOS ONE, publicado em dezembro de 2010.

16. Placebo response in Parkinson’s disease: comparisons among 11 trials covering medical and surgical interventions, CG Goetz et al., Movement Disorders, publicado em abril de 2008.

17. Expectation and dopamine release: mechanism of the placebo effect in Parkinson’s disease, R. de la Fuente-Fernández et al., Science, publicado em agosto de 2001.

18. Identifying baseline characteristics of placebo responders versus nonresponders in randomized double-blind trials of refractory partial-onset seizures, I. Niklson et al., Epileptic Disorders, publicado em março de 2006.

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