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Sobrepeso e obesidade causam 15 mil casos de câncer por ano no Brasil

De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo, em colaboração com a Universidade Harvard, dos Estados Unidos, 3,8% dos mais de 400 mil casos de câncer diagnosticados anualmente no Brasil são atribuíveis ao Índice de Massa Corporal (IMC) elevado. O estudo foi publicado na revista Cancer Epidemiology, com o título The increasing burden of cancer attributable to high body mass index in Brazil. esse número deve crescer até 2025, quando se estima que mais de 29 mil novos casos de câncer atribuíveis à obesidade e sobrepeso devam surgir, índice que vai representar 4,6% de todos os novos casos da doença no país.

Obesidade e sobrepeso estão associados ao aumento de risco de 14 tipos de câncer, como o câncer de mama (pós-menopausa), cólon, reto, útero, vesícula biliar, rim, fígado, mieloma múltiplo, esôfago, ovário, pâncreas, próstata, estômago e tireoide, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a incidência desses 14 tipos de câncer corresponde à metade do total de casos da doença diagnosticados por ano.

Casos de câncer atribuídos a obesidade e sobrepeso no Brasil

Casos de câncer atribuídos a obesidade e sobrepeso no Brasil tendem a aumentar com o consumo de alimentos processados, segundo pesquisadores. Foto: Robert Owen-Wahl/Free Images

Para estimar o excesso de peso e a obesidade na população brasileira, os pesquisadores usaram dados sobre IMC no Brasil em 2002 e 2013 da Pesquisa de Orçamentos Familiares e da Pesquisa Nacional de Saúde, ambas conduzidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise de dados em dois momentos, e com 10 anos de diferença, se justifica para analisar a latência da doença a partir do excesso de peso ou obesidade. De acordo com os dados do IBGE, 40% da população brasileira tinha sobrepeso ou obesidade em 2002. Em 2013, o total subiu para aproximadamente 60%. Levando em conta IMC, magnitude do risco relativo, casos da doença e período de latência, os autores estimaram que, em 2012, cerca de 10 mil casos de câncer em mulheres e 5 mil casos em homens eram atribuíveis ao excesso de peso e obesidade aferidos dez anos antes. Dados sobre a incidência de câncer foram obtidos do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e da base Globocan da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, da OMS.

“O problema principal é que vem ocorrendo um aumento nas prevalências de excesso de peso e obesidade no Brasil e, com isso, os casos de câncer atribuíveis a essas duas condições também devem crescer. Fora isso, espera-se que haja um aumento nos casos de câncer como um todo, pois a população do país vai aumentar e envelhecer”, disse o autor Leandro Rezende, doutorando na FMUSP.

Os pesquisadores atribuíram esse aumento no IMC ao aumento no consumo de alimentos processados nos últimos anos. “O estudo mostra essa fase de transição nutricional epidemiológica. São justamente esses alimentos altamente calóricos, com quantidade elevada de açúcar, sal e gordura, que também são os produtos mais baratos”, afirmou Rezende.

Os pesquisadores ainda estão calculando o peso de outros fatores – como sedentarismo, tabagismo, alimentação e consumo de álcool – na incidência e mortalidade por câncer, mas os dados desses outros fatores ainda não foram publicados. Eles ainda estimam um aumento no número de casos de câncer atribuíveis à obesidade e sobrepeso, que em 2025, deve chegar a 29 mil por ano, isto é, cerca de 4,6% de todos os novos casos de câncer no Brasil.

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